Hoje é mais um daqueles dias em que acordamos e não sabemos bem porque estamos vivos. Tenho estado a ouvir música deprimente, a escrever
meaningless crap que não deve fazer sentido absolutamente nenhum. Mas claro, que importa isso? Se estás bem, eu também estou. Sinto-me um bocado à deriva no tempo, acho que me perdi algures entre as horas e as fracções de segundos. Talvez me tenha perdido em ti, e agora arrependo-me disso mas é tarde.
Sempre fui tarde no que te dizia respeito. Nunca fui a tempo de te compreender. Cheguei demasiadas vezes atrasada ao teu apelo, com poucos minutos livres para te dispensar. Era bom que entendesses que a minha intenção não era a de te magoar
(os clichés caiem sempre bem), de te deixar com marcas permanentemente cravadas a lágrimas. Olha, desculpa. É só o que te posso dizer, não é? Se te dissesse
be mine! mandavas-me dar uma volta e atiravas-me à cara todas as merdas que te fiz. Desculpa-me também a frieza das palavras, é o stress, como dizem os mais velhos.
Quando deixar de ser egoísta, prometo que te telefono. Vou-te surpreender com a minha mudança, vou mostrar-te como cresci e como deixei de achar que preocupar-me com os outros é sinal de fraqueza. Depois, levo-te a tomar café numa qualquer esplanada fashion,
daquelas que sempre gostaste e,
devagar devagarinho, vou-te pegar na mão e explicar-te que nunca me esqueci de ti. Provavelmente, nessa altura, vais-me dizer a medo que encontraste alguém que te preenche e te dá o que nunca te dei, ou que estás bem só e não queres nada sério. E aí, com um sorriso tímido e nervoso, vou-te dar uma desculpa esfarrapada e sair apressadamente, dizendo que foi bom ver-te.
Quando chegar a casa, vou-me deitar no sofá, com a tv ligada e adormecer a lembrar as palavras que te poderia ter dito e mudado o rumo das nossas vidas:
Amo-te.