terça-feira, julho 26, 2005

sketch for my sweetheart #1

O mundo é feito de desilusões, contratempos e imprevistos. Quanto mais nos esforçamos para os evitar, mais eles surgem, vindos de locais estranhos e inesperados. Talvez por isso tenhamos caído na rotina desesperada de fingir que tudo está bem. Mas não está, pois não? As nossas vidas desencontraram-se e apenas agora demos por isso. Anda, vamos lutar contra o destino! Vamos fazer-lhe frente, mostrar que o nosso destino somos nós que o traçamos e que nunca é tarde demais para fazermos as escolhas certas. Refugiemo-nos na certeza que o amanhã será diferente, e que o acaso não é mais que uma mentira usada para justificar os erros do nosso passado.

quinta-feira, julho 21, 2005

come what may...

Gostava de te dizer tantas coisas... Infelizmente, a timidez não mo permite. Gostava sobretudo de te agradecer por gostares de mim, tal como sou, e por me ouvires quando mais ninguém o faz. És das poucas pessoas que me entende, ou que faz por isso. Graças a ti, recuperei a capacidade de me sentir bem comigo mesma. Afinal, quantas e quantas vezes me disseste (dizes) que sou especial, e me fazes ver as minhas qualidades? Sempre achei que era só defeitos até te conhecer. Se hoje posso afirmar que tenho confiança em mim mesma, é por tua causa. Tens a noção do quanto gosto de ti? Acho que não te consigo demonstrar, pelo menos não da forma que queria. É por ti que sou como sou, é pela maneira como me animas que já não choro quando estou sozinha. Não me sinto mal por estar viva, já não sou um mero peão num complexo jogo de xadrez. E sim, eu sei que este blog deveria ser sobre o amor e os dissabores que este nos traz, mas que melhor forma de amor existe que não a amizade? Por isso, obrigada. Por tudo o que fizeste, por tudo o que fazes e por tudo que sei que és capaz de fazer por mim. Por mais voltas que as nossas vidas dêem, mesmo que por algum azar do destino nunca mais nos vejamos, quero que saibas que nunca me esquecerei de ti. Pessoas como tu são raras e sinto-me honrada por ter tido o privilégio de te conhecer. Adoro-te.

Texto dedicado a Miguel A. Rosa

sábado, julho 16, 2005

if I had you

Hoje é mais um daqueles dias em que acordamos e não sabemos bem porque estamos vivos. Tenho estado a ouvir música deprimente, a escrever meaningless crap que não deve fazer sentido absolutamente nenhum. Mas claro, que importa isso? Se estás bem, eu também estou. Sinto-me um bocado à deriva no tempo, acho que me perdi algures entre as horas e as fracções de segundos. Talvez me tenha perdido em ti, e agora arrependo-me disso mas é tarde.

Sempre fui tarde no que te dizia respeito. Nunca fui a tempo de te compreender. Cheguei demasiadas vezes atrasada ao teu apelo, com poucos minutos livres para te dispensar. Era bom que entendesses que a minha intenção não era a de te magoar (os clichés caiem sempre bem), de te deixar com marcas permanentemente cravadas a lágrimas. Olha, desculpa. É só o que te posso dizer, não é? Se te dissesse be mine! mandavas-me dar uma volta e atiravas-me à cara todas as merdas que te fiz. Desculpa-me também a frieza das palavras, é o stress, como dizem os mais velhos.

Quando deixar de ser egoísta, prometo que te telefono. Vou-te surpreender com a minha mudança, vou mostrar-te como cresci e como deixei de achar que preocupar-me com os outros é sinal de fraqueza. Depois, levo-te a tomar café numa qualquer esplanada fashion, daquelas que sempre gostaste e, devagar devagarinho, vou-te pegar na mão e explicar-te que nunca me esqueci de ti. Provavelmente, nessa altura, vais-me dizer a medo que encontraste alguém que te preenche e te dá o que nunca te dei, ou que estás bem só e não queres nada sério. E aí, com um sorriso tímido e nervoso, vou-te dar uma desculpa esfarrapada e sair apressadamente, dizendo que foi bom ver-te.

Quando chegar a casa, vou-me deitar no sofá, com a tv ligada e adormecer a lembrar as palavras que te poderia ter dito e mudado o rumo das nossas vidas: Amo-te.

domingo, julho 10, 2005

and if you saw my love, you'd love him too

If you ever need me, just remember all the times when we wandered free
If you ever miss me, don't you know that I feel the same way
If you ever need me, just remember and I'll always be there
If you ever miss me, don't you know... don't you know... we will meet again
We will meet again

Vagueio sem rumo pelas ruas da cidade, as mesmas ruas por onde passámos tantas vezes, e penso em ti. Uma mistura de raiva e de paixão preenche-me o vazio que deixaste na minha alma no dia que partiste para nunca mais regressar.

Uma vez perguntaste-me o que era para mim o amor. Ingenuamente, respondi-te que o amor era perdermo-nos nos olhos do outro durante horas sem notar, e isso ser o suficiente para que nos sentissemos completos. Quantas vezes dei por mim a perder-me nos teus olhos, a navegar pelos rios de lágrimas de água doce que neles existiam e a secá-los com os meus lábios secos e ávidos do teu toque. Como desejava nessas alturas sentar-te a meu colo, como a uma criança, e sussurrar-te ternamente ao ouvido que tudo estaria bem quando acordasses de manhã.

Acorda, meu amor! É um novo dia, ontem não volta mais!

Hoje desejo intensamente que ontem fosse o amanhã, e o hoje o nunca, um qualquer universo paralelo. Deixa-me sonhar acordada, viver a minha inocente fantasia. Sabes, descobri finalmente o que é o amor. É o sentimento mais incompleto de todos, que nos torce e remói o espírito quando estamos longe de quem amamos mas que nos faz sentir como se nada fosse quando estamos próximos. Quanto a ti, dorme. Sem medos nem receios, nada te pode fazer chorar. E don't you know? We will meet again.

sábado, julho 09, 2005

o amor é isto

Acendo um cigarro e observo calmamente a ténue nuvem de fumo que se gera em meu redor. Penso na fragilidade das relações humanas. As suas marcas são vísiveis mas desvanecem-se tão depressa, tal como o fumo que tanto nos incomoda mas que parecemos não conseguir evitar. Vem até nós e acha-nos mesmo quando nos esquivamos. Assim é o amor.

sexta-feira, julho 08, 2005

for all we know

Enjoy the silence...

Querido Vitor,

As palavras não mudam o mundo por si mesmas - são as pessoas que as proferem que o fazem. Que adiantaria se um simples desconhecido te apontasse todas as qualidades que tens e que és incapaz de ver por ti mesmo? Talvez pensasses que se tratava de um louco, de um qualquer imbecil a intrometer-se onde não lhe compete. O que me faz vibrar? As mais pequenas coisas que por vezes, demasiadas vezes, passam completamente despercebidas. Não, não me acho diferente nem especial. Certamente sou tudo menos isso. Mas gosto de apreciar pequenos detalhes, como dizes. Às vezes são os detalhes que mais se prolongam na nossa memória e que tornam tão únicos acontecimentos vulgares que, sem esses mesmos detalhes, de nada difereriam de outros demais. E, claro, aquela pessoa. Não a minha (ou a tua) alma gémea, mas aquela que, naquele preciso instante, está lá e a sua presença é mais que suficiente para que esse intervalo de tempo signifique algo. Posso referir-me apenas a um amigo. Mas, claro, tu percebeste. Sempre percebeste.
Look around. Just people. Can you hear their voice? Find the one who'll guide you to the limits of your choice.

quinta-feira, julho 07, 2005

sexo é escolha, amor é sorte...

I've got you under my skin

- "Mãe, o que é o sexo?"

- "O sexo é uma coisa de adultos, quando fores mais velha logo sabes."


Será mesmo o sexo uma coisa de adultos? Pergunto-me se este tipo de respostas redundantes dadas às crianças serão educativas. Porque não dar-lhes uma resposta sincera? "O sexo é algo que os adultos fazem porque sabe bem e, às vezes, para mostrar que se amam." Será demasiado confuso? Se calhar nem os adultos sabem bem o que é o sexo. Em teoria, deveria ser algo profundo (no pun intended), que demonstrasse realmente o amor que se sente pelo parceiro. Deveria ser aquela necessidade de fazer com que o outro se sentisse bem, verdadeiramente bem, num momento único em que os corpos se uniam num só. Só que os adultos já não têm a mesma inocência que as crianças, tornaram-se seres egoístas, sem vontade de lutar pelos seus ideais, até pelos mais simples. O sexo perdeu o seu significado, tal como o amor. Envolvemo-nos em relações de pura conveniência, sem qualquer sentimento afectuoso que nos una um ao outro. Já não é necessário amar para se ter sexo. Aliás, o amor tornou-se em algo tão banal que damos por nós a usar a palavra "amo-te" mais vezes do que seria de esperar e cada vez mais de ânimo leve. "Amo-te!" dizes-me tu. E achas que acredito? Se mal me conheces... Não podemos viver sem amor, é certo, mas não é caso para o ferirmos com tamanha leviandade. Talvez por isso devessemos ensinar o que é o sexo às crianças, talvez elas o percebessem melhor que nós. O sexo e o amor deveriam andar de mãos dadas, como eu e tu... Ensinemos-lhes então, o que é o sexo! Talvez quando essas mesmas crianças chegassem a adultos, toda a hipocrisia e egocentrismo que tão bem nos caracteriza (a ti, a mim), não lhes tivesse estragado o conceito apaixonado que sexo tem e aí, finalmente!, alguém percebesse (sentisse?) aquilo que o sexo realmente é.

Ao contrário de nós os dois.

red thing called love

Este blog, recém inaugurado, começa com o mesmo intuito que tantos outros - partilhar um bocadinho das nossas vidas, quer sejam coisas que nos aconteceram ou pensamentos que nos assaltam. Os posts, por serem feitos por duas pessoas distintas, talvez não sejam em nada parecidos (a começar pela forma como são escritos) mas creio que falo por ambos ao dizer que o elemento de ligação será o seu tema chave, aquele sentimento que todos procuramos incessantemente - o amor.

So let there be love.